quinta-feira, 22 de junho de 2017

CÉU



Eu só quero você
E mais nada...(2x)

Não me engana
Vem beleza humana
Fica ao meu lado
Preciso de amor
Outra cena
Somos dois poemas
Apaixonados
Poderemos sonhar...

Eu só quero você
E mais nada...(2x)

Vida humana
Tem outra vida humana
Que bom seria
Um dia nós dois
E na cama
Ôh beleza humana!
Sonho ao teu lado
Preciso de amor...

Mil e uma noites de amor
De amor, de amor
Você chegou!
Você chegou!
Mil e uma noites de amor
Você chegou!
Você chegou amor
Chegou amor, chegou amor
Chegou amor, chegou

segunda-feira, 19 de junho de 2017

ESTÚPIDAS PROVOCAÇÕES

Disse que faria e fiz. Contra a acusação de que não vou à praia e não prestigio a bacanagem dos eventos típicos do nosso país tropical, ou ainda, que não balanço a minha bunda aos finais de semana nas festas de família provenientes de acusações levianas que consistem em inverdades originárias de uma inferência equivocada por parte do meu caro amigo JB do adorável recanto da Solidão Ampliada "Blogson Crusoé" aí vai minha defesa, ou melhor, meu contra-ataque, um pagodão de respeito da época em que se permitia ao cara ser um bom canalha de uma boa dona, sem frescuras e de um bebedor e intérprete de primeira - não sei se na ordem correta e/ou justa - ao estilo carne queimada, descolorante na pele e cloro no cabelo. Que intelectual é a ...


EXPERIMENTAÇÕES

Altruísmo:

Às vezes
O melhor a fazer pelo outro
É ferir

(Seja com beijos de naftalina
Ou bilhetes guardados sob os sapatos de deus)


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Pra você dar o nome

Não sei se já existiu
E mentalmente eu rezo
Palavras sopradas
Inadvertidas
Que vêm na frequência de ondas em sílabas
Bravas porém não destemidas
Que sejamos como pequenas e mornas pegadas
A serem apagadas 
Ou levadas pelo ar

Afundo então na profusão
Da textura
De cores feitas de areia 
E sinto
O que
Você é 
Assim
Como eu

Anticor.



Um tom de azul pra cada dia

Apartamento 26
Call me Lolla
Quando chegar
Espera um pouco ai fora
Eu quero ver você
Pelo olho magico
E preparar
Um sorriso lindo
Antes de você entrar
Não me de nada alem
Desses braços que são
O melhor lugar do mundo
E se quiser
Chega de surpresa
Que isso é bem você
E isso é magico
Vou preparar
Uma xícara de chá
Para você ficar
E não ir embora nunca mais
E não ir embora nunca mais
E não ir embora nunca mais
Quando chegar
Espera um pouco ai fora
Eu quero ver você
Pelo olho magico
Preparar
Uma xícara de chá
Para você ficar
Não me traga flores
Eu perco o controle
Se convida para entrar
Não me traga flores
Eu perco o controle
Se convida pra ficar
Pra não ir embora nunca mais
Pra não ir embora nunca mais
Pra não ir embora nunca mais

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Lucífugos

À noite,
luzes reversas
brincam distantes com poças noturnas
onde o sono é revel.

À noite,
menina suja,
pouco importa que tenham perdido o jantar:
sentidos rebeldes e
humana vilania.

À noite,
é quando a vida leviana
se despe dos encargos de ser
e sonha acordada
com a sua própria hora de dormir
e se abraça nua ao travesseiro de segredos
onde debaixo
está você,
e respira aliviada
pois é hora de viver.




sábado, 10 de junho de 2017

"Regalos para el corazón"


Aqui. Sussurre, não diga a ninguém. Esconda tudo. Grite. Não faça absolutamente nada. Faça tudo que bem entender ou quiser. Sonhe. Não lhe darei ordens ou ditarei regras. Só estou profundamente grato por você. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Predatismo

Fecho os olhos e penso no gosto de todas as coisas. Bolo de chocolate e beijo com batom retocado. Quantos sentimentos podem ter sabor ruim? É uma constante meditar sobre o descaso do necessário. Uma constante pesarosa e um desastre.
- Vês? Como terminam e começam as coisas. São as rugas ou a falta delas que revelam o falso sorriso encrustado num rosto, são elas que denunciam a aguçada curiosidade resguardada ou perdida no olhar. É apenas mais um blefe malquisto pelo jogador.
Questiono-me o que tanto ruminam esses teus dentes sujos que fazem justa causa a minha etérea cara de paisagem. Animal noturno não sabes que é o teu pesado rondar que não me deixa dormir? És sempre tu quem mastigas o fruto da minha imaginação. Ainda sim. 


"O que sempre desejamos
Nunca o que merecemos"

domingo, 4 de junho de 2017

A(!) Mulher-Maravilha

Que gosto de mitologia não é novidade, de cinema, então. Os dois juntinhos, colados, suados e em 3D, porra.  Fico até na fila, principalmente quando é pra conferir um dos lançamentos mais esperados do ano das telonas. E você vai titubear; perguntar e era, Jota? Meu caríssimo leitor, responderei. Era, não. É. Duas horas e trinta minutos do melhor conteúdo que os melhores estúdios da DC puderam produzir. A volta por cima, o troco, a "revenge", o nocaute que virou o jogo, esfregou a cara no chão e cuspiu/ colocou no lugar a soberana Marvel. A belíssima Gal Gadot não só superou as expectativas, não apenas representou o personagem, não tão somente honrou a saia, o legado das amazonas e de Lynda Carter, mas se tornou a própria heroína da DC, a lendária Diana Prince com grito, escudo, armadura e laço. É Patty Jenkins na sua melhor forma, na melhor fase, no seu "magnum opus".


quarta-feira, 31 de maio de 2017

PEQUENAS DOSES DE REALIDADE

Ainda
É um custo acreditar,
Dócil criatura,
Nessa tua mordida
Cheia de raiva
E fúria incontidas
E não me importa o valor
Da cólera fendida
O calor das circunstâncias
Dentro da matilha
Irracionais ou irascíveis
Custa-me não a paciência
No momento perdida
Não a delicadeza furtivamente esquecida
Mas o ódio voraz
Sobrepujado 
Eu 
pego 
Pelo desdenhoso pescoço 
Seguro forte 
-Língua fere dentes -
Ofereço meu desprezo no olhar
Pela ofensa
Pela ferida
A qual não lembrarei logo à frente
A qual não lamberei 
Deixarei crua
Dolorosa exposição 
A queimar
Livre vista
Sanguínea oxidação
Assim estaremos quites
Assim estamos quites, amor.


Agora, me diga,
o que se transmite através da tua mordida?

terça-feira, 30 de maio de 2017

UM TOM DE AZUL PRA CADA DIA

alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter-nos abstratos, e há certa razão nisso,
mas jesus;
lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e
você está com
minhas
pinturas também, as melhores, é sufocante;
quer me destruir como fez com todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com
os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos
das calças.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos
mas não meus poemas:
eu não sou Shakespeare
mas vai chegar um tempo em que simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba cair,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas
mas não muita
poesia.
PARA A PUTA QUE LEVOU MEUS POEMAS – Charles Bukowski. Queimando na água, afogando-se na chama.


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Paradoxos diurnos

"Vento que vem do leste
Algo está surgindo
Há algo que se aproxima
Como algo certo preparado
Prestes a começar.
Não sei dizer
O que há pela frente,
Mas sinto 
O que vai acontecer,
Já aconteceu."

Walt nos bastidores de Mary Poppins


quinta-feira, 25 de maio de 2017

"Regalos para el corazón"


Flores envenenadas na jarra. 
Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. 
Que riqueza de hospital. 
Nunca vi mais belas e mais perigosas. 
É assim então o teu segredo. 
Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. 
E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

Clarice Lispector


Cine Jota

"- E se eu encaçapar a bola doze? O que eu ganho?
-Meu cu.
- E se eu perder?
- O que tu me dá?
- O mundo."

Serra Pelada - filme


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Injustificadamente sem razão de ser

Justas ou não
As coisas muitas vezes
São tão simplesmente
O que parecem

E se a ti pareço que amo?


A hierarquia do sonhos

Estivéssemos nós
Sobre o mesmo patamar
Desafiando leis
Ocupando o mesmo lugar

Loucura frente à loucura
Questão de casuística
Distância
E não de pés nas alturas

Na mesma singularidade:
rival, cúmplice e lasciva.
E não dividindo a mesma profundidade
De nossas depressões.


Quem disse que a Jota também não reza?!



Cine Jota


sábado, 20 de maio de 2017

Memórias de casos inventados

Que todo moleque é bicho curioso todo mundo sabe. Afinal quebra-cabeças e toda sorte de brinquedos que se encaixem de alguma forma fazem o maior sucesso no contexto infantil e no meio adulto. Aliás, pobres criaturas de coração mole e bolso fundo os pais diante da infinita malícia dos marqueteiros infantis. Mas antes disso, bem antes disso, anterior ao resultado vem a fabricação. O que me lembra que quando eu era adolescente e tinha lá meus adoráveis dezesseis anos comprei meu próprio exemplar do Kama Sutra numa feira de livros. E aprendam, senhores, se ainda não sabem, feiras são os piores melhores lugares do mundo. Questão é que comprei numa pechincha junto com um exemplar de Cálculo I emprestado e nunca devolvido,  e assim percebam como funciona a cabeça desta criatura. De modo que, como vocês já sabem, do Cálculo aprendi picas. Mas para aqueles que nunca deram uma boa folheada no clássico indiano adianto que não é bem por aí. O livro está mais para uma abordagem de um tipo de ioga voltada ao prazer. O que não o exclui e não torna de todo inútil, ademais moleque que é moleque quer ver figura, quer dar uma ilustrada nas ideias. E por que estou me recordando disso hoje? É que mais cedo dei com um catálogo de rascunhos e ilustrações bem parecido, não encontrei a autoria e também não havia qualquer identificação quanto à nomenclatura das posições. Pena. Felizmente foi muito mais divertido inventar nomes ao meu particular prazer. Claro que depois de categorizar tudo em "esse eu fiz", " esse não fiz" e "opa". Coisa super madura para quem sempre vai ter 16. 




































Ah... Só pra saber tem uma que eu não conhecia. Coloquei na minha categoria " opa". A gente fica velha e, graças a deus, não vê tudo. É foda. É foda.


Cine Jota

"- Estas luvas estão me deixando cego
- são como vidro - não, eu vejo gelo.
- E quando vai contar a verdade a ele? 
- Ele é o único que vê aqui
- Você quer me dizer que o amor é cego?
(daí a parte que eu exclamo sozinho: não, o amor é sentir)."


Sinopse: 
Cegos" (2007) dirigido pela holandesa Tamar van den Dop (Supernova - 2014) é um filme belíssimo que disserta sobre um puro e intenso amor. Será mesmo que o amor verdadeiro é cego?
Em uma mansão, Ruben (Joren Seldeslachts), um jovem cego e arisco, vive com sua mãe (Katelijne Verbeke). Esperando ajudar o filho, ela contrata Marie (Halina Reijn), uma jovem albina, como leitora. Com paciência, a garota consegue acalmar Ruben, sem imaginar o que virá.
Ambientada no final do século XIX, o que predomina nesta obra é a atmosfera gélida e melancólica, se assemelha a uma narrativa literária e fascina exatamente por conter esses elementos poéticos. Aliás, os livros são uma constante na trama, já que Marie lê para Ruben, inicialmente vemos um garoto agressivo, fechado em seu quarto inferniza a vida de sua mãe, que sem alternativas encontra o anúncio de Marie. Ela chega na casa, uma mulher albina, reprimida e enigmática, sua feição é estranha e a sua pele repleta de cicatrizes devido um acidente na infância, acompanhamos partes de quando era criança em flashbacks, instantes dolorosos que fazem com que compreendamos o porquê de algumas de suas atitudes. O fato é que Marie consegue acalmar com sua bela voz Ruben, e inebriado de paixão quer tocá-la, mas como um animal arisco ela foge. Com o passar dos dias a convivência se estreita e ambos apaixonados vivem momentos únicos. Complexada, Marie evidentemente mente sobre sua imagem para o garoto, ele a imagina diferente e quando toca em suas mãos diz que há flores congeladas nelas, o despertar sexual acontece e a mãe inconsolada com a relação pede ajuda ao médico da família, que diz que com os avanços da medicina é possível que Ruben volte a enxergar, o que deixa Marie triste e a faz fugir. A alegria de poder ver as cores do mundo contrasta com a tristeza de ter perdido seu amor, daí uma gama de reflexões surgem sobre o significado do amor em sua essência. 

"Ele sentou-se duro e frio no salão vazio e gelado. Ela o reconheceu logo de cara e se jogou em seus braços. Lágrimas escorriam por seu rosto vermelho e atingiam seu peito. Seu coração de gelo derretido. Ela beijou seus olhos, ele chorou. Ela beijou suas mãos, suas bochechas, e ele chorou de novo. Lágrimas lavaram a lasca de seu olho. Ele a reconheceu." 

Ruben se apaixonou por Marie, foi a sua voz, seu cheiro (algo muito evidenciado), esses detalhes únicos que imprimem personalidade, interessante quando volta a enxergar e a encontra e a reconhece justamente pelo cheiro, novamente entre os livros, numa cena lindíssima pede para que ela volte para ele, mas Marie resiste e não crê que com a sua aparência o amor continuará sendo tão intenso e puro. A carta que ela lhe escreve diz sobre isso e o desfecho não poderia ser mais clássico, porém com vários elementos peculiares que dão um tom especial. 

Fonte: http://pitadacultdecinema.blogspot.com.br/2017/03/cegos-blind.html?m=1

Bom, gosto pra caralho desse filme, mas curiosamente já não me lembrava dele até hoje. Como adoro contar finais e estragar o suspense. No fim, mesmo depois que a amada fora embora para sempre (porque tinha medo que ele descobrisse que ela era toda coberta de cicatrizes e era velha), ele prefere ficar cego novamente e assim poder "vê-la" outra vez.